Ainda dá tempo de colocar seu time em campo: flexibilidade, resiliência e o papel do RH na Copa que dura 6 semanas

A Copa do Mundo 2026 já está em campo. Desde 11 de junho, 48 seleções disputam 104 jogos em três países, e 37% dos trabalhadores já declararam que vão mudar a rotina. A questão de flexibilidade no trabalho durante a Copa do Mundo deixou de ser opcional: ela está acontecendo, com ou sem política definida pela empresa o torneio (UKG, jun/2026).

Se a sua empresa ainda não se posicionou sobre flexibilidade no trabalho durante a Copa do Mundo 2026, você tem uma janela. As fases mais assistidas do torneio, quartas, semifinais e decisão, ainda estão por vir. Metade do impacto emocional desse torneio ainda vai acontecer no expediente da sua equipe.

Equipe reunida assistindo jogo da Copa do Mundo 2026 no ambiente de trabalho

Por que a Copa de 2026 exige uma política de flexibilidade no trabalho

Nas edições anteriores, havia uma saída fácil: horário. Em 2022, o Mundial foi no Catar e os jogos do Brasil aconteceram em horários que não colidiram tanto com o expediente. Em 2026, os estádios ficam nos EUA, Canadá e México, e o fuso joga contra quem tem reunião às 13h.

Soma-se a isso o formato inédito: 48 seleções, 16 estádios, seis semanas de competição. A Copa do Mundo 2026 é o torneio mais longo da história da FIFA. Não é um evento de fim de semana, é uma maratona emocional que atravessa metas, prazos e avaliações de desempenho.

A UKG, empresa especializada em soluções de gestão de pessoas, projetou em junho de 2026 um impacto de US$ 17 bilhões em produtividade global durante o torneio.

Isso não acontece porque os colaboradores são irresponsáveis. Acontece porque a Copa é um evento de mobilização nacional de escala rara, e quando as empresas não criam estrutura ao redor disso, o impacto ocorre de qualquer forma, só que sem gestão.

O que os dados revelam sobre o comportamento do seu time agora

Vamos aos números, porque eles contradizem a narrativa de que “cada um se vira”.

De acordo com pesquisa da UKG divulgada em 9 de junho de 2026, 37% dos trabalhadores planejam alterar a rotina de trabalho para acompanhar a Copa. Outros 27% pretendem chegar atrasados, sair mais cedo ou se ausentar nos dias de jogo. Um dado menos comentado: 14% admitiram que vão assistir às partidas durante o próprio expediente. E 42% dos próprios gestores planejam tirar folga em algum momento do torneio.

Quase metade dos seus líderes intermediários já tem esse plano na cabeça. Só não verbalizou para o time ainda.

E segundo levantamento da Infojobs/Redarbor publicado em 19 de junho de 2026, 26,4% dos trabalhadores brasileiros ainda não sabem qual é a política da sua empresa sobre os jogos. Em pleno meio do torneio.

Silêncio organizacional em uma hora dessas não é neutralidade. É uma posição, e costuma ser percebida como descaso.

Flexibilidade no trabalho na Copa do Mundo não é concessão: é leitura de realidade

Tem um dado que gestores de RH deveriam ter colado no mural: 70,4% dos profissionais consideram empresas mais atrativas quando elas adaptam a rotina durante momentos de grande mobilização nacional, segundo a pesquisa Infojobs/Redarbor. Desses, mais da metade, 54,6%, diz que as considera “muito mais atrativas”.

É dado de employer branding em tempo real. No mesmo mercado em que retenção de talentos é um dos maiores custos escondidos do RH, ignorar um momento de mobilização coletiva é largar pontos gratuitos.

A mesma pesquisa aponta que 73,3% dos profissionais afirmam que assistir aos jogos com a equipe melhora o ambiente de trabalho. Não é sobre futebol, é sobre pertencimento, sobre o time que existe além do organograma.

Flexibilidade no trabalho durante a Copa do Mundo não é sobre abrir mão de produtividade. É sobre reconhecer que produtividade sustentada depende de um ambiente que trata gente como gente.

A resiliência que a Copa ensina e que o RH precisa aprender

A Copa dura seis semanas porque foi desenhada para testar algo além de habilidade: resiliência. Grupos eliminatórios, oitavas, quartas, semifinais, final. Cada rodada elimina quem não conseguiu sustentar o nível quando o jogo ficou mais difícil.

Nas empresas, a lógica é a mesma. O time que se mantém coeso durante um evento de alto impacto emocional, sem criar dois grupos dentro do grupo, sem acumular ressentimento silencioso, sem perder ritmo coletivo, sai mais forte do outro lado.

O que distingue as empresas que chegam ao final da Copa com clima melhor do que entraram? Uma coisa: elas não deixaram que o torneio fosse um assunto não dito.

Ainda dá tempo: o que fazer agora pela flexibilidade no trabalho Copa do Mundo

A final da Copa do Mundo 2026 é em 19 de julho. As fases mais dramáticas do torneio ainda não aconteceram. Se a sua empresa ainda não se posicionou sobre flexibilidade no trabalho durante a Copa do Mundo, há caminhos concretos que ainda cabem nessa janela.

O primeiro é comunicar uma política, mesmo que simples. Não precisa ser um documento elaborado. Uma mensagem do RH dizendo “nos dias de jogo do Brasil, vamos liberar o expediente X horas antes” já elimina os 26,4% de incerteza que geram absenteísmo não gerenciado.

O segundo é criar pelo menos um momento coletivo. Uma TV ligada na sala de reunião, um almoço junto antes do jogo, uma mensagem de torcida enviada pelo canal interno. Qualquer sinal de que a empresa está jogando junto com a equipe, não só cobrando entrega dela.

O terceiro é usar o momento como termômetro de cultura. O que um time faz quando perde um jogo diz mais sobre ele do que o que faz quando vence. As empresas que conseguem criar espaço para a decepção sem drama, e para a comemoração sem excesso, estão praticando gestão emocional de verdade.

O quarto é conectar a Copa ao reconhecimento. Se a sua empresa tem metas em andamento, esse é o momento de reforçá-las com o espírito do torneio. Quem entrega resultado durante as semanas mais distrativas do ano merece ser reconhecido de uma forma que esteja à altura do momento.

O que acontece com as empresas que ficam em silêncio

Os 27% que planejam chegar tarde ou faltar vão fazer isso de qualquer forma. A diferença entre a empresa que criou estrutura e a que ficou em silêncio não aparece no dia do jogo. Aparece na semana seguinte.

Num caso, o colaborador volta na segunda com a sensação de que a empresa enxerga quem ele é fora do trabalho. No outro, volta com a consciência de que “escapou” de algo, uma conta que ninguém vai cobrar formalmente, mas que estará lá.

Qual desses dois times performa melhor quando a Copa acabar?

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